Imaginemos que visitamos outro tipo de tribo, uma tribo muito anterior ou muito posterior a esta tribo estruturada em pirâmide em que vivemos, o tempo não é importante. Uma tribo desprovida da relação temporal e até mesmo posicional, uma comunidade tão simples de tão evoluída que é, uma convivência igualmente plural mas singularmente despreocupada, desprovida de algo a perder por já ser dado adquirido ter sempre algo a ganhar, onde não há Deuses nem endeusados, onde os mais sábios partilham a sua energia recebendo-a de volta multiplicada, um local físico ou extra físico, vamos atribuir o cenário que melhor encaixar na nossa projecção, vamos acreditar por um instante que essa realidade existe, vamos visualizar as suas paisagens e as suas formas, vamos ver as suas gentes e fazer delas reais, vamos atribuir a cada pensamento uma emoção, vamos então construir essa "visita" emocionalmente na nossa existência, não no nosso cérebro que esse é apenas mais um órgão mecanizado, mas no nosso ser, na nossa verdadeira plenitude, naquilo que nós somos verdadeiramente quando nos conectamos ao todo, vamos sentir cada momento da realidade que acabamos de construir, os gestos, as palavras ou apenas comunicações intuitivas, as paisagens e os sons, cada acção e sua correspondente emoção.
Imaginemos agora que para além de nós dois há muitos outros, outros igualmente a co-criar esta realidade nas suas essências, cada qual acrescenta a sua visão sentida tornando-a cada vez mais plural mas cada vez mais ampla onde encaixam cada vez mais essências distintas, diferentes na sua interpretação, iguais na vontade de serem verdadeiramente elas deixando para trás a máscara que construíram perante a tribo onde estão fixas fisicamente, caída a máscara sobra a verdade, uma verdade que não é comum mostrarem, uma verdade que muitas nem conheciam mas que nesta realidade co-criada é a que "ousam" ostentar pois tão somente é que existe.
Vamos então agora todos reflectir, essa realidade tal qual o nome indica já existe,é real para cada um de nós, não interessa onde, não lhe vamos atribuir um espaço para já, o que é facto é que já existe, criamo-la ainda agora e mesmo assim já não cabe em lado algum, é uma realidade enorme, multifacetada, plural, cheia de sensações e manifestamente provida de tudo o que realmente nos interessa a cada um em particular e onde o todo complementa cada um de nós com a magnificência por todos acrescentada, vamos por momentos sentir toda essa energia nova a inundar-nos e a tornar-se cada vez mais completa na medida em que vamos preenchendo e completando a nova realidade, que na verdade é uma realidade paralela para onde viajamos instantaneamente sempre que queremos porque na nossa essência para além do tempo o espaço também não é quantificável, existe apenas o aqui, o agora e o que é e sempre foi e sempre será. Nestes parâmetros certamente que já não parece obra do fantástico, o nosso cérebro limitado já não idealiza naves a zarpar para lá do sétimo céu nem fatos espaciais ou maquinaria saída de um qualquer "Projecto Manhattan" desde que nos conectemos ao nosso verdadeiro ser, a nossa essência como partículas que compõem o todo e ao mesmo tempo o todo cabe dentro delas, descomplicamos a nossa existência e por momentos tudo se torna nítido.Aproveitemos o momento.
O que é que na co-criada realidade não há? Sim, mesmo sendo uma realidade criada pelas mesmas pessoas que fora dela vivem mecanizadamente há algo que não entrou, ao recorrermos à nossa verdadeira essência para co-criarmos algo, precisamente no momento que nos deixamos levar pelas emoções primitivas, nesse pequeno ou grande momento dependente do quão presos ás nossas vivências actuais estamos, nós simplesmente nos abstemos do medo, do medo que no fundo criaram para nós e ao qual aprendemos a prestar vassalagem, medo esse que aprendemos a amplificar e a reinventar dia a dia, estamos presos numa matriz amplamente dominada por quem conhece a nossa programação e puxa os cordéis da humanidade movimentando marionetas e moldando a nossa vivência ao ritmo dos seus interesses.
No momento que agimos distintamente do medo criamos sempre algo de único, universal e novo, pois recorremos à nossa essência criativa desprovida de limites ou barreiras pré-concebidas, agimos de acordo com algo ao qual pertencemos a um nível superior, algo que é parte de um todo, de uma universalidade, da inteligência superior que é a mesma que comanda a perfeição do universo a quem chamam DEUS.
Uma vez enrolados nesta complexa teia, temos-nos visto obrigados a jogar pelas leis rudimentares mas eficientes de quem criou e continua a controlar a realidade que vivemos, somos diariamente controlados mentalmente para reagirmos a programações pré definidas, baralhados criamos os nossos filhos igualmente num regime de aceitação e submissão, incutimos neles desde logo os nossos medos e evitamos a todo o custo que se separem deles, mesmo sabendo que o que sabemos é apenas parte de um todo, são apenas retalhos de algo verdadeiramente superior continuamos a responder positivamente a uma programação que nos faz querer para eles o mesmo que não nos contentamos em ter, o mesmo contra o qual a espaços lutamos, o mesmo que em momentos de maior lucidez abominamos, mas que até então e por mais voltas que tenhamos dado, contas feitas, voltamos submissos, derrotados, e seguimos as nossas vidas tentando calar a contradição que nos habita com as programações, com o medo e com o dia a dia mecanizado, na falsa comodidade da matriz.
Chris Guillebeau explica esta nossa vivência actual muito bem com a sua parábola dos macacos no seu prático livro " The Art of Non-Conformity"
, onde sucintamente 5 macacos viviam numa jaula com água e comida meramente suficientes para a sua existência, um cínico manipulava as suas vidas pendurando um cacho de bananas mas ao mesmo tempo largando água gelada quer pelo macaco que ousa-se a façanha de as querer comer, quer pelos restantes. Com o passar do tempo foi trocando os macacos, os novos ainda tentavam trepar mas começavam a ser desencorajados pelos restantes, até que já não restava qualquer dos macacos iniciais que chegaram mesmo a levar com a água fria e no entanto era prática comum não só não tentarem trepar para as bananas como desencorajar qualquer um que o tenta-se, não sabiam porquê, apenas sabiam que não se podia tentar trepar para as bananas, aplicado à nossa existência exprime muito bem o que vivemos, não sabemos o porquê apenas sabemos que não devemos sair da matriz, pois bem, levantemos a cabeça, as sociedades secretas que dominam a nossa vivência já o sabem, já o pressentiram faz tempo, estamos a um passo de nos desprender-mos das amarras, das programações que até então nos têm controlado, está na hora de nos libertar-mos do medo e começarmos a materializar nas nossas vidas a realidade paralela que já criamos ainda à pouco, aos poucos podemos começar a fase de desligamento deste peso que trazemos ancorados, a viver o agora e para o agora, com a paz e a iluminação de quem sabe que só tem algo a ganhar, de quem recebe em multiplicado a energia que oferece, de quem está a sair do hipnotismo e começa a soltar-se, de quem afinal conhece o medo e aos poucos deixa de se alimentar e de ser alimento através dele.



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